_Contexto + questão colocada
Uma companhia de saneamento, assim como todo o segmento de infraestrutura, vinha enfrentando um apagão de talentos. Os jovens que estão entrando no mundo do trabalho não estão mais escolhendo funções com mão de obra muito sofrida, como a de um operador de água e esgoto que trabalha dentro de uma vala de rua, por exemplo. Além disso, existe uma lacuna entre o que as formações técnicas ensinam e a realidade da infraestrutura. O conhecimento técnico aplicado ao negócio estava muito concentrado na cabeça de poucas pessoas e o modelo tradicional de aprendizagem era por carona: alguém recém-chegado aprende colado numa pessoa mais velha de casa. Esse modelo se mostrou inviável diante da velocidade de crescimento da empresa, da quantidade limitada de pessoas experientes disponíveis e do risco de vícios replicados sem critério.
_Como era feito antes
A aprendizagem acontecia na prática, por observação e convivência com os mais antigos. Mas isso não acompanhava o ritmo de expansão e não era escalável, não necessariamente refletia a forma como a organização gostaria que o trabalho fosse feito e ainda trazia o risco de replicar vícios. A empresa crescia rápido demais para esse formato dar conta.
_O que foi proposto
Foi desenvolvido um programa de formação de multiplicadores, numa proposta simples, mas que resolve: instrumentalizar pessoas que sabiam fazer para que elas soubessem ensinar a fazer. A formação entrega ferramentas metodológicas, noções de gestão de tempo e orientação para projetar soluções de aprendizagem mesmo para quem não é da área de aprendizagem. A proposta respeitou a rotina dessas pessoas e deu o suporte certo para que elas conseguissem dar conta da tarefa de compartilhar o que sabem com qualidade.
_O que mudou
As pessoas que tinham o conhecimento técnico passaram a ter uma caixa de ferramentas para ensinar. O programa não foi sobre tecnologia, mas sobre criar condições reais para que o saber fosse transferido com qualidade, ampliando a capacidade de execução da organização.
_Resultados e desdobramentos
Além de preparar multiplicadores, o programa também atuou na gestão do conhecimento. Como o conhecimento estava concentrado nas pessoas, ele ia embora quando elas se aposentavam ou deixavam a empresa. A iniciativa ajudou a explicitar o que antes era tácito, contribuindo para reduzir a lacuna de força de trabalho e preservar o capital intelectual, que é o principal diferencial competitivo da organização.